08 de Maio de 2026
Saúde
OMS alerta para novos casos de hantavírus, mas minimiza risco de surto
A infecção por hantavírus pode provocar uma síndrome respiratória aguda
A Organização Mundial da Saúde alertou para o surgimento de novos casos de hantavírus após o registro de infecções em um cruzeiro, mas minimizou o risco de um grande surto da doença.
O MV Hondius, foco de um alerta sanitário internacional desde o fim de semana, navega em direção a Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde está prevista, a partir de segunda-feira, a evacuação de cerca de 150 passageiros e tripulantes.
Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode ser contraído por contato com roedores e cuja cepa Andes, detectada nos passageiros infectados, é a única conhecida com casos de transmissão entre humanos. A infecção por hantavírus pode provocar uma síndrome respiratória aguda.
'Até hoje, foram notificados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos', informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra.
Dado que o período de incubação do vírus Andes pode chegar a seis semanas, 'é possível que sejam notificados mais casos', acrescentou, referindo-se a essa cepa presente na América Latina.
Não é o começo de uma pandemia
A OMS ressaltou, no entanto, o 'baixo' nível de risco epidêmico, já que o vírus é menos contagioso que a covid-19.
'Não é o começo de uma pandemia', garantiu Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação ante epidemias e pandemias da OMS, na primeira coletiva de imprensa desta agência da ONU desde o início da crise.
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, insistiu em que o surto será 'limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e se houver solidariedade entre todos os países'.
Os três passageiros falecidos desde o início do cruzeiro, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde, na África, são um casal de holandeses e uma alemã.
Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, na Suíça, na Alemanha e na África do Sul.
Origem do foco ainda desconhecida
A origem do foco continua desconhecida, mas, segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes do início da viagem, já que o primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas já em 6 de abril.
O casal, que havia viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar, provavelmente não se infectou em território chileno, dado que percorreu esse país 'num período que não corresponde ao de incubação', afirmou o Ministério da Saúde chileno.
As autoridades sanitárias argentinas indicaram, por sua vez, que 'com a informação fornecida até o momento [...] não é possível confirmar a origem do contágio', de acordo com um comunicado divulgado após uma reunião com funcionários de todo o país.
O hantavírus é endêmico em algumas regiões argentinas, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, com pelo menos cerca de 60 casos por ano nos últimos anos.
Fonte: Itatiaia.com.br