27 de Janeiro de 2026

Minas Gerais

NotíciasVale interrompe operações em duas minas após problema em MG

Vale suspende atividades em duas unidades de MG após extravasamento em cava em Ouro Preto. Governo de MG aponta danos ambientais
Divulgação, Ilustração
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A Vale voltou ao centro do debate ambiental e institucional em Minas Gerais ao anunciar a suspensão das atividades em duas de suas áreas de exploração, após o extravasamento de uma cava em Ouro Preto. O episódio ocorre em um momento simbólico: sete anos após a tragédia de Brumadinho, que marcou definitivamente a história da mineração no Brasil e ainda reverbera em cobranças por responsabilização e justiça.

Vale suspende operações após extravasamento em cava em Minas Gerais
A mineradora informou que interrompeu as operações nas unidades produtivas de Fábrica e Viga, ambas localizadas em Minas Gerais. A decisão foi tomada depois que a Prefeitura de Congonhas determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento das atividades da empresa na região.

O extravasamento aconteceu durante a madrugada de domingo, em uma cava, escavação a céu aberto, operada pela Vale em Ouro Preto. Como consequência, houve alagamento de áreas pertencentes à CSN Mineração, na unidade Pires. Diante do cenário, o município também exigiu a adoção imediata de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental.

Apesar da paralisação, a Vale afirmou que mantém seus planos de negócios inalterados. Segundo a empresa, as barragens da região seguem em condições estáveis e seguras. A produção combinada das duas unidades suspensas é de cerca de 8 milhões de toneladas por ano, o que representa aproximadamente 2,4% da projeção média de produção de minério de ferro da companhia para 2026, conforme estimativas de analistas do Santander.

Divergência sobre impactos ambientais
Enquanto a Vale sustenta que não houve lançamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos, o Governo de Minas Gerais apresentou uma avaliação diferente. Segundo o Executivo estadual, o extravasamento provocou danos ambientais, incluindo o carregamento de sedimentos e o assoreamento de cursos d’água que deságuam no rio Maranhão.

Essa divergência de versões reforça a tensão histórica entre discursos corporativos e avaliações de órgãos públicos e ambientais, especialmente em um estado que acumula episódios graves relacionados à mineração.

Brumadinho: sete anos depois, a ausência permanece
O incidente em Ouro Preto coincide com o aniversário de sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, também pertencente à Vale. O desastre matou 270 pessoas e se tornou um dos maiores crimes socioambientais da história do país.

Recentemente, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou o encerramento oficial das buscas pelas vítimas. Mesmo após a maior operação de resgate já realizada no Brasil, com mais de 5 mil militares, aeronaves, cães farejadores, máquinas e milhares de horas de trabalho, dois corpos nunca foram localizados: o do engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e o da estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.

Embora as buscas em campo tenham sido finalizadas, a Polícia Civil de Minas Gerais segue analisando segmentos humanos encontrados ao longo dos anos. Para os familiares, no entanto, o encerramento da operação não significa conclusão. Ao contrário, aprofunda a sensação de vazio e impunidade.

Mineração sob vigilância permanente
Nesse contexto, o novo extravasamento reacende alertas sobre a segurança das operações minerárias em Minas Gerais e evidencia a permanência de feridas abertas desde Brumadinho. Ainda que a Vale afirme que seus indicadores financeiros não foram impactados, o episódio reforça a pressão social e institucional por fiscalização rigorosa, transparência e responsabilidade ambiental.

Entre suspensões, laudos técnicos e memórias que insistem em não se apagar, a mineração em Minas segue sendo observada de perto, não apenas pelo que produz, mas, sobretudo, pelo que deixa para trás.


Fonte: Jornal Aqui