Publicidade
COLUNISTA / Luiz Ernesto
Papo Aberto
Lama, muita lama
Divulgação
Negligência assassina. Descaso irresponsável. Incompetência inconsequente. São vários os termos com os quais podemos classificar a atitude da mineradora Samarco diante do rompimento de suas barragens, que acabaram com vidas e tudo pela frente, numa tragédia que todos já conhecem. Destruição e morte.

Os bajuladores que se valem das benesses das mineradoras que destroem, claro, logo vão dizer que aí vem mais um babaca duro e iludido que não enxerga os empregos e o desenvolvimento que essas empresas ofertam ao nosso Estado. Tudo bem, isso é fato. Mas nenhum desses argumentos apaga a tragédia advinda da burrice, aliada as irregularidades e à fome desmedida pelo lucro financeiro.
Sei que meu grito é inaudível entre os poderosos e possa ser até motivo de riso para os assassinos de cargo pomposo, mas o rompimento das barragens da empresa Samarco traduz perfeitamente o que acontece em nosso Estado há décadas, que é a submissão de nossos representantes políticos, nossas entidades fiscalizadoras e até de grande parte de nosso povo diante do poderio econômico de empresas que corroem nossa riqueza ambiental e, pior, por vezes matam.

Um distrito de 600 moradores foi arrasado e centenas ou milhares de trabalhadores tiveram seu sustento interrompido pela destruição. Em termos ambientais, nascentes, ribeirões, rios, pastos, plantações, animais, vales, estradas, trilhas e um mundo verde foram destruídos. Como ficarão as pessoas que tiveram a vida devastada pela irresponsabilidade? Como ficará a natureza destruída pelas pessoas que só pensaram em lucro, em grana, em enriquecimento? E a pior de todas as perguntas: como ficam aqueles que perderam entes, como a família do monlevadense Sileno?

Mineradoras, como essa Samarco, subjugadas a potências como a Vale e gigantes estrangeiras, são marcadas pela prepotência que quase toda empresa de paises subdesenvolvidos têm, advinda da certeza de que nada acontecerá a elas. Sei que esse texto não lhes fará cócegas, mas não posso deixar de dizer que enquanto as vítimas de Bento Rodrigues sequer serão encontradas, os picaretas de crachá bonito e uniforme indefectível continuarão a achar desculpas para dizer que foi um lamentável, trágico e inesperado acidente. Não, não foi! Foi uma esperada e evitável tragédia, resultado de falta de planejamento e de responsabilidade.

Entre todos os absurdos que temos que absorver e conviver ultimamente, esse é mais um. Gerar empregos e desenvolvimento a troco de extermínio é dispensável. É lama. Muita lama.


Luiz Ernesto

MAIS Papo Aberto
 
 
 
GUIA COMERCIAL
COLUNA UP STREET
Publicidade
WWW.UAIBOX.COM.BR
HOME      NOTÍCIAS      FOTOS E EVENTOS      AGENDA      DICAS DE FILMES      POINT & TUR      CONTATO
Copyright © 2015 Todos os direitos reservados