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COLUNISTA / Luiz Ernesto
Papo Aberto
Pra não dizer que não falei dele
Ídolos estão em falta. Nas turbulentas e efervescentes décadas de 60 e 70, eles sobravam. Hoje, no seco, calorento e cibernético século 21, eles morreram de sede ou “picaretaram” de vez.

Tive a decepcionante e tardia oportunidade de assistir, pela internet, uma entrevista do cantor Geraldo Vandré ao excelente jornalista Geneton Moraes Neto, acho que exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, tempos atrás. Decepção é a palavra.

Vandré, assim como Ferreira Gullar, Dias Gomes, Cacá Diegues, Glauber Rocha, Plínio Marcos e outros, foi um dos artistas que mais utilizou com propriedade sua obra contra o regime militar que calava, batia, matava e subjugava no Brasil. Vandré era um ícone da esquerda brasileira e sua canção “Pra não dizer que não falei das flores” se tornou um hino contra a ditadura. Há muitos anos atrás, rumores nunca confirmados davam conta de que o cantor sofria problemas mentais em virtude de torturas sofridas à época da repressão.

Pois bem, o que assisti na entrevista concedida após 37 anos de clausura foi um homem vazio, oco, apático e sem nada para contar, apesar de tudo que viveu. E que, ainda, entre devaneios, elogia de forma velada o militarismo, a ponto de dizer que nunca foi contra o mesmo e ainda conviver com ele. Um balde de água fria em quem se lembr do autor de “Disparada” ou para os jovens que ouviram falar dele e de sua aura.

Tínhamos em casa um disco (compacto) de Vandré, em que na emblemática capa o artista envergava uma indefectível camisa vermelha, diante de um microfone e com violão a postos. Símbolo de uma infância que, mesmo recheada de ídolos, já fazia pequena e romântica idéia do que era um regime militar. Ver filhos e netos do explorado proletariado brasileiro bajulando a elite burguesa e aplaudindo canalhas (estes existem na esquerda e na direita) por aí é duro. Pior que isso é ver mitos caindo por terra e, claro, fazendo a grande mídia ter orgasmos múltiplos.

Onde estão os que acreditavam em Geraldo Vandré? Ou em Glauber? Gullar? Plínio? Se sumiram por falta de luta, saibam eles que em cada esquina há um regime ditatorial a se debelar. “O terreiro lá de casa não se varre com vassoura, varre com ponta de sabre, bala de metralhadora”.

Luiz Ernesto

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